• Fixo: (31) 3504-2616 | Cel/WhatsApp: (31) 99636-1528

História da Raça

Mangalarga Marchador - História da Raça - NETMARCHADOR

MANGALARGA MARCHADOR - Cavalos de Minas para o mundo

Muitos episódios da História do Brasil foram gravados com as ferraduras dos cavalos. A chegada desses animais ao país remete ao descobrimento e à ocupação do território nacional. Acredita-se que os primeiros espécimes vieram nas caravelas, trazidos das ilhas da Madeira e Canárias. Em 1808, com a chegada da Família Real ao Brasil, os portugueses trouxeram também garanhões e éguas que eram criados nas coudelarias reais. Entre os mais nobres criatórios estava a Coudelaria Real de Álter do Chão, que selecionava cavalos na região de Alentejo, famosos pela desenvoltura, beleza de movimentos e aparência impecável. Tantas qualidades tornaram a aristocracia apaixonada por cavalos Dom João VI não tinha muita aptidão para montar, mas seu impetuoso filho Pedro I era exímio cavaleiro.

Partia em disparada do Palácio de São Cristóvão e entrava a galope no Paço Imperial poucos minutos depois quando proclamou a Independência do Brasil, às margens do riacho Ipiranga, foi representado pelo pintor Pedro Américo na sela de um belo alazão. O imperado Pedro II mantinha magníficos garanhões andaluzes nas estrebarias reais de Cachoeira do Campo. Até o Marechal Deodoro da Fonseca só proclamou a República do Brasil depois de montar um baio imponente.

O cavalo e as Minas Gerais

Fuscão Preto - Mangalarga Marchador - NETMARCHADOREm Minas Gerais, a história do cavalo começou a ser escrita no Ciclo do Ouro, quando os desbravadores precisavam de animais mais velozes que os burros e mulas para fazer rápidos deslocamentos. Em tempo de guerras, como a dos Emboabas, um bom cavalo valia muito dinheiro. O preço variava de acordo com o conforto da montaria, agilidade e presteza. O desbravamento do território mineiro e o deslocamento de cargas para abastecimento das minas através de caminhos íngremes e perigosos exigia a prudência e a resistência dos muares.

Mas, logo após implantados os empreendimentos rurais, os fazendeiros e negociantes se valiam de cavalos fortes, velozes e de andamento confortável para seus deslocamentos. As escoltas das tropas de transporte de ouro das minas para o porto de Paraty montavam cavalos briosos, aptos a perseguir os bandidos que emboscavam as cargas.

Mangalarga Marchador - NETMARCHADORDe acordo com registros históricos, Gabriel Francisco Junqueira, o barão de Alfenas, foi presenteado em 1824 por D. Pedro I com um garanhão da raça Álter Real. Fazendeiro abastado da região Sul do Estado de Minas Gerais e criador de bovinos, o barão iniciou sua criação de cavalos cruzando aquele magnífico animal com éguas rústicas de sua fazenda Campo Alegre, situada no município de Cruzília. Como resultado desse cruzamento, surgiu um novo tipo de cavalo denominado Sublime pelo andar macio que possuía. O cavalo era utilizado para montaria e na lida da fazenda como tração leve.

Sublime se tornou Mangalarga

Naquela época, já se impunha uma seleção da raça. O cavalo no século XIX era o meio de transporte mais confortável. Por isso, fazendeiros e nobres não poupavam recursos para adquirir animais confortáveis e prestativos para a família. O cavalo precisava se adequar ao solo, às características topográficas mineiras bastante montanhosas, ser resistente em longas cavalgadas, às variações do clima e do ambiente, ter bom rendimento e ser bastante cômodo.

Elfo do Porto Azul - Mangalarga Marchador - NETMARCHADORSurgia no Sul do Estado de Minas Gerais a valorização da marcha de tríplice apoio e a raça Sublime. A comodidade desses animais chamou muita atenção, e logo o rico fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, proprietário da Fazenda Mangalarga, trouxe alguns exemplares de Sublimes para seu uso em Paty do Alferes, próximo à Corte no Rio de Janeiro.

Por terem porte e andamento diferenciados, os cavalos foram reconhecidos rapidamente na capital do Império. Viraram sinônimo de nobreza e perfeição no que dizia respeito a cavalos de sela.

Esses animais foram apelidados de cavalos mangalargas, em uma referência à fazenda de onde vinham. Essa é uma das versões que justificam a origem do nome “Mangalarga” e a mais consistente delas, de acordo com alguns pesquisadores.

Na região de topografia acidentada da província de Minas Gerais surgiu o andamento marchado, em cavalos de sela confortáveis e ágeis para transpor as montanhas. A seleção era feita com os recursos genéticos do patrimônio ibérico. Desenvolveu-se um cavalo de peitoral marcante e andar reconhecidamente cômodo.

As primeiras fazendas de criação de MANGALARGA MARCHADOR

Mangalarga Marchador - NETMARCHADOREntre os criatórios de destaque que formaram a base da raça, localizados ao longo da Estrada Real, podem ser citadas as fazendas Campo Alegre, Favacho, Campo Lindo (JB), Traituba, Agaí, Narciso, Cafundó, Boa Vista, Bela Cruz e Engenho de Serra.

Independentemente da fazenda, o Mangalarga Marchador era o cavalo predileto, pela segurança do seu andamento, pela habilidade na lida com o gado e pela agilidade nos pastos altos das serras que caracterizam a paisagem de Minas Gerais. A importância do cavalo era tão grande que os animais, equipados com cabeçada de plumas e rédeas de bronze ou prata, acompanhavam procissões em homenagem aos padroeiros das vilas nos dias santos.

Aos domingos, familiares e amigos dos fazendeiros se reuniam para caçar veados campeiros, montados nos marchadores. Se o rastro da vítima fosse encontrado e a caça avistada, tinha início um galope pelas campinas e colinas. Em terrenos quase sempre irregulares era preciso cruzar as encostas das grotas, cortar as cristas das serras, passar pelas veredas dos vales, vadear rios, saltar paus, pedras e riachos. Esse esforço demandava empenho e habilidade do cavaleiro e da montaria.

Mangalarga Marchador - NETMARCHADORNos dias de sorte, os marchadores ainda tinham que voltar com a caça amarrada na garupa do caçador.

A exploração mineral era a principal atividade econômica da população da província mineira. No Sul doestado, a situação era um pouco diferente. Com a permanência de portugueses na região, a introdução de algumas culturas e a criação de animais assumiram tendências europeias. Por causa da atividade, muitas famílias de origem lusitana se estabeleceram no campo e desenvolveram fazendas de criação. Linhagens impecáveis de cavalos nasceram em berços de várias dessas propriedades.

Uma tradição iniciada há séculos é mantida até nossos dias em várias cidades de Minas: as cavalhadas, representações dos combates entre mouros e cristãos para a libertação da Península Ibérica.

Mangalarga Marchador - NETMARCHADOROs 69 núcleos de criadores da raça, que estão espalhados por todo o Brasil, promovem enduros e viagens que atravessam vários estados, mobilizando dezenas de cavaleiros e equipes de apoio. O Padrão da Raça Mangalarga Marchador caracteriza-se por altura mínima para machos de 1,47 m e máxima de 1,57m, porte médio, andamento em marcha batida e picada. Para fêmeas, a altura mínima é de 1,40 m e a máxima é de 1,54m. Sua vocação é de cavalo de sela para lazer e passeios, esportes de resistência e serviços.

A aptidão de sela para passeios é explicada pelo fato de o cavalo apresentar um bom rendimento e oferecer pouco atrito na sela e oferecer conforto tanto para o cavalo como para o cavaleiro. É um cavalo rústico que se adapta a qualquer clima e região, desenvolvido para suportar longas viagens e transpor obstáculos.

Compartilhar:
U